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Pe. Flávio Jorge Miguel Júnior Diretor do Instituto Superior de Teologia João Paulo II e Pároco da Paróquia São Judas Tadeu - Central Parque - Sorocaba - SP |
Site NP: Como se deu a descoberta de sua vocação sacerdotal?
Pe. Flávio: A descoberta de minha vocação se deu por volta do ano de 1988, quando eu já caminhava nos grupos de jovens da Igreja e tive um encontro pessoal com Jesus e senti que Ele me chamava para algo maior, não era simplesmente uma missão de coordenar grupos de jovens ou de pregar para a juventude. Eu tinha, na época, 18 anos, já que eu sou de 1970. Eu sabia que não era simplesmente isso, Deus queria algo mais. E com o tempo eu descobri que esse “algo mais” era a vocação ao sacerdócio. Neste ano de 2009 eu irei fazer 13 anos de padre.
Site NP: Qual é a mensagem que o senhor deixa para os jovens que sentem esse chamado à vida sacerdotal, mas que ainda não tiveram coragem de assumir essa vocação?
Pe. Flávio: Justamente que ouçam as palavras de Jesus a Pedro, Tiago e André: “não tenham medo”! É verdade que qualquer chamado causa, no primeiro momento, uma insegurança, um medo. Também alguém que vai ter o compromisso de um casamento, de um matrimônio, se sente inseguro, pois é um passo, uma decisão que vai ter conseqüências pela vida inteira e isso gera, às vezes, uma insegurança. Eu digo aos jovens: não tenham medo. Jesus disse: “não tenham medo, eu farei de vocês pescadores de homens”.
Site NP: O senhor é um dos fundadores do Instituto de Teologia João Paulo II. Qual é o trabalho desenvolvido nessa instituição?
Pe. Flávio: O Instituto João Paulo II foi fundado por mim, juntamente com o Pe. Ricardo Dias Neto, falecido ano passado, e pelo Pe. João Carlos Alampe, que é o vigário-geral da Arquidiocese de Sorocaba. Nós três juntos, com a bênção de Dom José Lambert, então bispo da época, também falecido há dois anos, fundamos o instituto teológico, que não é da Arquidiocese de Sorocaba, o instituto teológico ele é da província da Arquidiocese de Sorocaba. A Arquidiocese de Sorocaba consta de cinco dioceses: Sorocaba, Jundiaí, Itapeva, Registro e Itapetiringa. Os estudantes seminaristas dessas dioceses fazem lá o seu estudo teológico, os quatro anos de preparação para serem ordenados padres. E também temos leigos e leigas que participam do Instituto Teológico João Paulo II.
Site NP: O senhor é também o coordenador nacional do Ministério Cristo Sacerdote (RCC). Qual é o carisma desse ministério e que trabalhos ele desenvolve?
Pe. Flávio: O papel do Ministério Cristo Sacerdote não é fazer com que padres façam parte do movimento carismático. O papel do Ministério Cristo Sacerdote é oferecer para os padres retiros na linha da espiritualidade da Renovação Carismática Católica (RCC). No entanto, não é objetivo fazer com que eles participem da RCC. Aliás, nenhum padre deve “ser” da Renovação Carismática, como nenhum padre deve “ser” dos Focolares; o padre é padre para a Igreja. Eu, Pe. Flávio, não sou padre da Renovação Carismática, eu sou padre da Igreja. Eu sou padre para a Renovação, eu sou padre para os Emaús, eu sou padre na paróquia, eu dou aula de teologia, eu tenho em minha paróquia quase 50 pastorais e movimentos. Eu exerço a minha paternidade padre-pai, minha paternidade espiritual, com todas as pastorais e movimentos de Igreja.
Site NP: Neste domingo de Vinde e Vede o senhor falará um pouco para nós sobre Maria, Mãe do amor. Qual a importância de viver a experiência do amor de Maria para a sua vocação sacerdotal?
Pe. Flávio: O amor de Maria é importante porque ela representa a face divina, a face materna de Deus. Ela é criatura como nós, não é deusa, ela é criatura como nós, como nos ensina a doutrina católica, no entanto é a mais bela das criaturas. Maria é importante para o equilíbrio eclesial, porque ela traz o feminino no interior da teologia, o feminino no interior da liturgia, o feminino na vida da Igreja, na eclesiologia. Uma igreja sem Maria é uma igreja muito pobre. Maria ela é importante nessa perspectiva.
Site NP: O tema do Vinde e Vede deste ano é “Vem viver o amor”. Como viver o amor nos dias de hoje, quando esse sentimento é tão banalizado em nosso meio?
Pe. Flávio: Viver o amor a partir da experiência de Deus. O amor de Deus é eterno, e esse amor preenche o nosso coração. De fato, as pessoas hoje estão vulneráveis, cansadas, tristes, abatidas, porque tem feito uma experiência muito superficial do amor, restringindo o amor simplesmente ao sexo ou restringindo o amor simplesmente a amizades interesseiras ou a amizades simplesmente de estarem em uma mesinha conversando juntas, comendo algo. O amor de Deus ele proporciona uma experiência que transforma a vida do ser humano.
Site NP: Em uma de suas pregações o senhor citou o Papa Bento XVI. Qual foi a referência religiosa para a sua caminhada?
Pe. Flávio: Na minha caminhada a referência foi o Papa João Paulo II, porque eu sou da geração do Papa João Paulo II. Quando ele assumiu o pontificado, em 1979, eu tinha 9 anos de idade. Então minha referência é, de fato, João Paulo II, mas, claro, tenho o mesmo amor ao Santo Padre atual, o Papa Bento XVI, que é um homem extraordinário e o qual eu sempre admirei enquanto estudante de teologia e como professor de teologia, quando ele era o Cardeal Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.
Site NP: Padre, em sua pregação na manhã deste sábado, o senhor nos disse que “quanto mais jovem, mas carente de amor. [...] E só o amor de Deus pode preencher o nosso coração de amor verdadeiro”. Em sua opinião, como os jovens têm vivido essa experiência do amor de Deus?
Pe. Flávio: O jovem tem vivido bem essa experiência quando abre o coração ao amor de Deus. É necessário você estar aberto. Deus não força, não obriga ninguém. Deus só faz este convite: “abra o coração para que eu possa derramar o Meu amor”.
Site NP: Padre, também neste sábado o senhor pregou para nós sobre o evangelho escrito por São Marcos: “Senhor, se Tu queres, podes curar a minha lepra” (Mc 1, 40-45). Quais têm sido as maiores causas das lepras, do sofrimento humano nos dias de hoje?
Pe. Flávio: O ser humano ele carrega, durante toda a sua vida, muitas lepras, muitos sofrimentos. Independente da religião, independente da raça e da cultura. Nós, que estamos nesta caminhada no Espírito, em uma vida eclesial, nós carregamos também muitas lepras. Eu acho que o que a Igreja propõe, o que o evangelho propõe, não é a ausência das lepras. É verdade que Nosso Senhor pode curá-las, e Ele cura, mas a proposta de Deus é a nossa união com Cristo para, com Ele, vencermos as tribulações e dificuldades. Jesus sofreu por nós na cruz, Jesus também foi o homem das dores. Então podemos unir a nossa dor à dor de Jesus, a nossa humilhação à humilhação de Jesus, a perseguição que sofremos à perseguição que Jesus sofreu, o abandono, a solidão que às vezes experimentamos em nossas vidas, com aquele mesmo abandono que Jesus experimentou no Getsêmani.
Site NP: O senhor poderia deixar uma mensagem para os internautas que acessam o nosso site?
Pe. Flávio: Que todos busquem a Jesus. Só Ele realmente é o Senhor e Salvador, somente Ele pode preencher o coração do homem moderno. Com Jesus nós somos novas criaturas, como diz São Paulo Apóstolo. Em Jesus somos verdadeiramente felizes, renovados, libertos e livres para viver o amor de uma forma plena e saudável.
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